Torzeski: "Copa do Nordeste mudou a fórmula e piorou a disputa".


Torneio regional reúne 20 clubes na edição de 2019. Foto: Rafael Ribeiro / CBF.
O retorno da Copa do Nordeste no ano de 2013 fez o futebol nordestino mais competitivo. As principais equipes da região disputando uma taça e integrando os estados.
Em 2013, o Campeonato Brasileiro da Série A contava com três equipes nordestinas, Bahia, Náutico e Vitória. Na B, 6, ABC, América de Natal, ASA, Ceará, Icasa e Sport e na Série C 6, Baraúnas, CRB, Fortaleza, Sampaio Corrêa, Santa Cruz e Treze, num total de 15 times nas três divisões principais.
Seis anos depois, são 17 clubes nas três divisões, sendo quatro na Série A (Bahia, Ceará, CSA e Fortaleza) três na B (CRB, Sport e Vitória) e incríveis 10 clubes na Série C, o Grupo A completo da competição (ABC, Botafogo-PB, Confiança, Ferroviário-CE, Globo-RN, Imperatriz, Náutico, Sampaio Corrêa, Santa Cruz e Treze).
É bem verdade que os campeões nacionais do nordeste vieram somente nas divisões inferiores: Fortaleza (Série B 2018), Santa Cruz (Série C 2013), CSA (Série C 2017), Botafogo-PB (Série C 2013) e Ferroviário-CE (Série D 2018), mas a ascensão de algumas equipes foi significativa. CSA e Fortaleza voltaram à Série A 2019, por exemplo.
Mas falando propriamente da Copa do Nordeste, a melhor forma de disputa que teve foi até 2018. Uma fase prévia com quatro confrontos de mata-mata que classificam para a Fase de Grupos. Na Fase de Grupos, quatro grupos de quatro equipes, com jogos de ida e volta, classificando-se os dois melhores de cada grupo. Posteriormente, o chaveamento de quartas-de-final até a finalíssima.
Na edição de 2019, a fase preliminar com mata-mata foi mantida e a fase de Grupos contou com dois grupos com oito equipes. As equipes do Grupo A jogaram contra as equipes do Grupo B, totalizando oito confrontos. As quartas-de-final são em jogo único, com mando de campo do melhor colocado, sendo os confrontos entre o 1º contra o 4º e 2º contra o 3º do próprio grupo, fazendo o chaveamento para as semifinais entre os clubes do mesmo grupo, de forma que tenha uma equipe de cada grupo na final (que é disputada em dois jogos).
Por que essa fórmula piorou a disputa? Bom, primeiramente porque o Vitória se classificou sem ganhar nenhuma partida, empatando sete e perdendo uma no Grupo A somando sete pontos, enquanto o Confiança, oitavo colocado do Grupo B, somou oito pontos. Ou seja, as oito equipes do Grupo B fizeram mais pontos que o quarto do A. Outra observação, numa classificação geral, das oito equipes que mais somaram pontos na primeira fase, Fortaleza e Santa Cruz do Grupo A, seriam 5º e 6º colocados, respectivamente.
O jogo único em fases importantes de quartas e semifinal dá mais emoção, mas o fator local do nordeste favorece e muito a melhor campanha. Tanto é que somente o Náutico conseguiu passar de fase, diante de um público de mais de 35 mil torcedores do Ceará. Essas fases finais levariam grandes públicos aos estádios. Fortaleza levou mais de 29 mil torcedores ao Castelão-CE na segunda-feira (8).
Portanto, se a competição só tem 12 datas de jogos, por que não mantém os quatro grupos de quatro (6 jogos), quartas, semifinal e final em jogos de ida e volta (mais 6 jogos)? Isso traz mais público de torcedores como os cearenses, baianos e pernambucanos, em fases quentes da competição, fortalecendo as relações entre clube e torcida. Afinal, o que seria do clube de futebol sem o torcedor?



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